Aquecimento global é tratado em curso sobre Mecanismo de Desenvolvimento Limpo
29/10/2008
Caraguatatuba Reflorestar a partir do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo: essa é a proposta do Instituto Caraguatá, que desde 2004 atua no setor em prol da redução do seqüestro de carbono na atmosfera. Como o tema é inédito para o Litoral Norte, o presidente da entidade, Pedro dos Santos Raimundo, criou um curso que será oferecido, em janeiro, para cerca de 40 técnicos da área de Meio Ambiente.
Presidente do Instituto Caraguatá apresentando projeto de recuperação de áreas degradadas ao secretário de Meio Ambiente, Xico Graziano, quando esteve em visita no Litoral Norte
Para viabilização do curso, que será gratuito, Pedro Raimundo, graduado em Direito Ambiental e especialista em Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) pretende fechar parcerias com empresas e governos municipais.
Na parte teórica, mudanças climáticas; acordos internacionais; noções básicas sobre sinótica; efeito estufa; fixação de carbono, entre outros. Segundo ele, em 1997, firmou-se o Protocolo de Kyoto, que adotou valores específicos de redução de emissões dos gases de efeito estufa em 5% sobre os níveis de 1990, no período de compromisso de 2008 a 2012. Isso significa a redução de centenas de milhões de toneladas por ano, com custo estimado de aproximadamente 35 bilhões de dólares anualmente. A grande inovação do Protocolo de Kyoto foi o conceito de comercialização internacional de créditos de seqüestro de gases causadores do efeito estufa. Assim, os países ou empresas que reduzirem abaixo de suas metas poderão “vender” este crédito para outro país ou empresa que não houver atingido o grau de redução almejado. Desta forma, o presidente da entidade, descobriu que o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo é uma ferramenta de sustentabilidade autorizada no Protocolo de Kyoto, que também traz um fundo de compensação criado para sustentar as ações de redução e seqüestro de carbono na atmosfera. Dessa forma, a discussão sobre mudanças climáticas transfere-se do meio ambientalista para o âmbito das finanças e dos negócios. “Nós atuamos com MDL desde 2004 e a proposta abre um leque maior do que se pensa. A fixação de carbono é tratada co preconceito pela comunidade européia. Existe o Executive Board (as normas do tratado oficial) e o Carbon Free - uma espécie de bolsa de carbono no mercado paralelo de Chicago, criada para ajudar países, que querem reduzir suas emissões de carbono com MDL”, exemplifica Raimundo. Segundo ele, em virtude dos EUA não assinarem o Tratado de Kyoto, a bolsa paralela de carbono ajuda no processo de redução do aquecimento global e agora começa a ganhar mercado. O curso, segundo ele, abriria portas para os profissionais que são carentes desse material. Aliás, a maior fonte bibliográfica disponível sobre o tema está em inglês. O curso servirá para capacitar interessados em MDL com ênfase em plano de reflorestamento em Áreas de Preservação Permanente (APP). Esta é uma metodologia aprovada na 35ª reunião da ONU para seqüestro de carbono. Antes disso, não havia possibilidade de fazer MDL em Área de Preservação Permanente (APP). Segundo o presidente da entidade, a partir dos novos critérios aprovados pela maior organização internacional, agora será possível optar pelo reflorestamento e fixar o carbono através das espécies vegetais. Além disso, alguns bancos já estão emprestando dinheiro para quem reflorestar através do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) é um deles. Atualmente, o Instituto Caraguatá atua auxiliando sitiantes na aplicação da metodologia usando as espécies nativas da mata atlântica. No ano passado, o (BNDES) anunciou os nomes dos gestores dos fundos de investimento em participações que devem aplicar um valor estimado em R$ 500 milhões em empresas que tenham ou possam adotar mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL) previstos no Protocolo de Quioto. O Brasil é o terceiro no mundo em projetos de MDL, atrás da China e da Índia, com mais de 200 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) ou o equivalente em outros gases-estufa que deixaram de ser lançados na atmosfera em 234 programas, a partir da instalação de mecanismos limpos de produção. Para o presidente da entidade, a proposta virou solução. “O que era antes um problema sério em grandes áreas de preservação permanente, agora virou solução com essa metodologia”, cita o presidente da entidade. Além de seqüestrar carbono, ainda pode gerar renda para programas agroflorestais. Segundo ele, entre as 80 espécies da mata atlântica é possível plantar 20% de frutíferas. A metodologia é nova e foi aprovada em junho deste ano. O Instituto Caraguatá possui 500 voluntários cadastrados e possui uma equipe técnica composta por 16 profissionais de diversas áreas. Mais informações sobre a entidade no site: www.pas.com.br ou www.institutocaraguata.org. A entidade fica em Caraguatatuba, na avenida Santa Catarina, 908, no bairro Cantagalo.
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Instituto Caraguatá informa que a partir do dia 14/12/2009 , o edital de chamada para os interessados em participar do projeto de florestamento e reflorestamento em Ribeirão Preto e região estará pronto em PDF para Download , mais informações pelo email: juridico@institutocaraguata.org
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