O Rio Guaxinduba nasce no bairro Canta Galo e deságua na paria Martin de Sá. Segundo a ONG este rio abastece 30% dos bairros em Caraguatatuba, que não coleta água em aqüíferos (águas subterrâneas), apenas em superfície. A Sabesp retira cerca de 80% da água do rio. Alguns moradores do bairro Canta Galo também retiram água utilizando mangueiras. “Em longo prazo essa retirada pode prejudicar o abastecimento de água na cidade, pois o rio sofre a perda de seu fluxo. Outro problema é a derrubada da mata ciliar que protege a nascente, devido à ocupação indevida do manancial” disse Pedro Raymundo, lembrando que já existe uma ação civil pública junto ao Ministério Público, pedindo a desapropriação de parte da área invadida. De acordo com Raymundo, a iniciativa partiu dos próprios alunos, após uma palestra sua na escola, sobre desmatamento de matas ciliares. Pedro disse ainda, que nesta pesquisa de campo participaram cinco alunos, acompanhados dois técnicos do Instituto Caraguatá, e foi utilizado o protocolo de monitoramento de rios do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). “Fizemos uma avaliação rápida, onde foram analisadas as características físicas do rio”, afirmou. Raymundo falou ainda que foram feitas coletas em três pontos, observando a pouca quantidade de água devia captação clandestina de casas de veraneio no entorno do rio, e foi contatada a presença de coliformes na água. “Observamos também um aumento da temperatura diretamente proporcional à derrubada da mata ciliar. Na nascente, a temperatura estava em torno de 18°C, e próximo à praia 22°C”, concluiu. O estudante Cauá dos Santos esteve na visita técnica, e diz ter ficado impressionado com a invasão de casas no manancial do rio “Eu achei que a qualidade da água no manancial estava melhor onde ainda há mata ciliar, do que próximo à praia, onde a taxa de coliformes foi maior. Mesmo assim, fiquei triste com a possibilidade da derrubada da mata na nascente devido às invasões de casas” disse Cauá. Segundo o comerciante Admilton Souza, presidente da Associação dos Amigos do bairro Canta Galo, não é de hoje que há ocupação indevida ao longo do rio Guaxinduba. “Moro aqui desde 1989, e desde aquela época há ocupação nas margens do rio. Não considero que todas as casas são invasões, porque há comercialização de imóveis no local, e não somente casas humildes”, afirmou o comerciante.
Estudantes monitoram qualidade da água do rio Guaxinduba
Estudantes monitoram qualidade da água do rio Guaxinduba
Alunos do curso técnico em Gestão Ambiental de uma escola técnica de Caraguatatuba (Tableau), em parceria com a ONG Instituto Caraguatá, estiveram no último domingo em uma visita técnica ao Rio Guaxinduba. Segundo Pedro dos Santos Raymundo, especialista em direito ambiental e presidente da ONG. O objetivo foi demonstrar aos alunos na prática, os efeitos negativos da derrubada da mata ciliar e da ocupação indevida sobre o rio.
11/11/2008
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